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Campos (União Brasil), hoje com 71 anos, já disputou 6 eleições e venceu todas. Foi três vezes prefeito de Várzea Grande, governador e duas vezes senador. Apesar de tão vitorioso, assegura que antes de entrar na vida pública não tinha a menor pretensão de algum dia se tornar político. Se dependesse só dele, continuaria envolvido com os negócios da família, exercendo sua vocação para o comércio.
Mas “Seo” Fiote, pai de Jaime, tratou de mudar o destino do filho quando, em 1982, resolveu ceder aos insistentes apelos de uma comitiva de lideranças locais para que Jaime saísse candidato a prefeito. “Vieram falar com meu pai umas 3 vezes”, lembra o senador.
A insistência pela candidatura tinha razão de ser. “Em 1978 fui coordenador da campanha do Branco de Barros, era uma campanha muito difícil e conseguimos virar, ganhamos de João Baracat. Ficaram encantados porque conseguimos virar uma campanha praticamente perdida”, recorda-se.
Diante do desejo dos correligionários, Jaime conta que “um dia fomos almoçar eu, mamãe e o Júlio que tinha chegado de Brasilia, ele já era deputado federal, e o papai disse: “Olha, no saco que vai um vai dois. O Jaime sai prá prefeito, o Júlio pra governador e eu volto a trabalhar na Futurista. Aí eu saí candidato, mas não estava no me radar porque eu não tinha essa pretensão”.
O hoje senador da República foi o irmão da família Campos que não chegou a fazer curso superior. Ele conta que na década de 60 não tinha segundo grau em Várzea Grande e seu pai transferiu a sede do Grupo Futurista para Cuiabá, se instalando na rua 24 de Outubro, para que todos os filhos pudessem estudar. Pelas circunstâncias que se apresentavam, acabou ficando com ele a tarefa que ajudar os pais na condução dos negócios e fazer dinheiro para ajudar os irmãos que estudavam fora.
“Quem tinha mais disposição para ajudar a D. Amália e seo Fiote era o Jaime. Eu me dava muito bem com meu pai e minha mãe e tinha vocação para o comércio, e os outros irmãos não tinham. Então eles foram todos estudar fora e alguém tinha que ficar trabalhando pra mandar todo mês dinheiro para pagar a faculdade. Então eu me propus a ajudar ‘o velho’ e fiquei com ele até por volta de 1982, início de 1983.”
Resiliente, Jaime diz que “mesmo não tendo feito ensino superior eu consegui aprender na escola da vida. Cheguei a fazer vetibular na Univag, em Várzea Grande, mas como a idade já estava um pouco avançada não tinha mais disposição e eu era senador da República e não dava pra compatibilizar as duas coisas. Fiz vestibular e passei. Quem sabe se um dia eu largar da politica, faço o terceiro grau.”
Das eleições de 1982 ele saiu vitorioso e diz ter feito “uma bela gestão como prefeito de Várzea Grande”. O mandato na época era de 6 anos e terminou em 1988. Em 1989 não disputou nenhum cargo, mas em 1990 os correligionários cunharam prá ele o termo “Pedra 90” ( ouro com alto grau de pureza) com o qual disputou a eleição para governador e venceu com quase 70% dos votos. Na mesma eleição, Julio Campos, seu irmão, se elegeu senador.
“Nossa coligação”, lembra Jaime, com bom humor, “se chamava União Por Mato Grosso mas os adversários chamavam União Por Nós Dois, Júlio e Jaime Campos”. “Seo” Fiote tinha razão. No saco onde vai um, vai dois.
Obs. O texto acima foi redigido com base em entrevista do senador Jaime Campos ao programa do deputado estadual Wilson Santos, veiculado pela TV Mato Grosso, Canal 27.1, de segunda a sexta, às 18h.
Fonte: Da redação
Data: 12/06/2023