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Setor representa 16,3% do PIB estadual e segue em crescimento, especialmente nas áreas de agroindústria e bioenergia; logística, burocracia e carga tributária continuam sendo obstáculos

Neste sábado (25), data em que se celebra o Dia da Indústria, o setor industrial de Mato Grosso chega com bons resultados, mas também com desafios que ainda limitam seu potencial de crescimento. Responsável por aproximadamente 16,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, o setor reúne mais de 123 mil estabelecimentos industriais, entre grandes, médias, pequenas e microempresas, segundo a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt).
Um levantamento de 2023 do Observatório da Indústria de Mato Grosso detalha a composição desse universo empresarial:
1.152 grandes indústrias
1.447 médias
15.727 microempresas
105 mil microempreendedores individuais
O avanço do setor é notável, sobretudo em segmentos como agroindústria e bioenergia, impulsionados pelo agronegócio e pela instalação de usinas de etanol de milho e biodiesel em municípios do interior. Essas iniciativas têm gerado emprego, agregado valor à produção e movimentado as economias locais.
No entanto, o crescimento é freado por gargalos persistentes. A logística ainda é um dos principais entraves, com estradas precárias em áreas remotas encarecendo o transporte de mercadorias e impactando a competitividade da indústria. A burocracia e a alta carga tributária também são queixas recorrentes. Em março de 2025, por exemplo, a arrecadação estadual com ICMS ultrapassou R$ 1 bilhão, um número que reflete o peso dos tributos sobre o setor produtivo.
Diante desse cenário, o governo estadual adotou medidas pontuais para mitigar os impactos sobre a indústria. Uma delas foi anunciada nesta sexta-feira (23): o diferimento do ICMS nas importações de até 5 mil toneladas de óleo de algodão refinado e semi-refinado, destinado às empresas do setor alimentício beneficiárias do Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial).
O incentivo fiscal tem validade até 31 de julho e foi motivado pela escassez de matéria-prima no mercado interno durante o período da entressafra do algodão. A intenção é evitar a paralisação das atividades industriais e os prejuízos econômicos decorrentes da falta do insumo.
Ainda que emergencial, a medida integra um conjunto de ações voltadas à preservação da competitividade da indústria local. No entanto, para que o setor avance de forma sustentável, especialistas apontam a necessidade de enfrentar os entraves estruturais com políticas de médio e longo prazo, especialmente no que diz respeito à infraestrutura logística e à desburocratização.
Fonte: Primeira Página
Data: 24/05/2025