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Gallo alertou ainda que permitir a execução de abortos legais por profissionais não médicos poderia gerar “situações imprevisíveis e desfechos indesejados”.

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, manifestou apoio neste domingo (19) à decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a liminar do ministro Luís Roberto Barroso.
A medida, concedida na última sexta-feira (17), autorizava enfermeiros a realizarem procedimentos de aborto previstos em lei, sem sofrer penalidades.
A decisão de Barroso permitia a atuação de profissionais de enfermagem nos casos previstos no Código Penal — estupro, risco de vida da gestante e anencefalia fetal.
Entretanto, o plenário do STF decidiu revogar a liminar, após voto divergente do ministro Gilmar Mendes, seguido por Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Em nota, José Hiran Gallo afirmou esperar que o entendimento contrário à liminar seja mantido quando o mérito for julgado.
Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com médicos em número suficiente para atender a essas demandas, sem necessidade de ampliar a atuação de outras categorias profissionais.
O presidente do CFM destacou ainda que a decisão deve respeitar a Lei nº 12.842/2013, conhecida como Lei do Ato Médico, que define como privativas dos médicos atividades como diagnóstico, prognóstico e intervenção clínica.
Gallo alertou que a realização desses procedimentos por profissionais não médicos pode gerar “situações imprevisíveis e desfechos indesejados”, devido ao aumento de riscos.
Ao defender sua liminar, Barroso argumentou que a legislação penal brasileira é de 1940 e não acompanha os avanços científicos que tornaram o aborto seguro quando realizado por profissionais de saúde capacitados — mesmo que não sejam médicos.
O ministro também havia determinado a suspensão de processos e punições contra enfermeiros que atuaram em abortos legais, decisão que agora perde efeito.
Até o fechamento desta matéria, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) ainda não havia se manifestado sobre a decisão do STF nem sobre as declarações do presidente do CFM.
Fonte: Primeira Página
Data: 20/10/2025