Mariana Rocha rompe barreiras e se consolida como liderança feminina na construção civil


Aos 48 anos, a mato-grossense Mariana Rocha construiu uma trajetória profissional marcada por determinação, constância e propósito. Formada em Comunicação Social pela UFMT, ela ingressou no setor da construção civil em 2014 e, desde então, vem ocupando espaços de destaque em um segmento tradicionalmente masculino.

Atualmente, Mariana é a única mulher na diretoria da Associação das Construtoras e Incorporadoras de Mato Grosso (ACIMT) e acaba de assumir a vice-presidência da Federação Nacional das Pequenas Construtoras (FENAPC), onde também é a única representante feminina. Segundo ela, essa conquista é resultado natural de trabalho e dedicação.

“Não busquei ser a única mulher. Isso aconteceu como consequência do caminho que escolhi trilhar”, afirma.

Sua atuação começou de forma gradual, por meio do associativismo. Ao integrar a ACIMT, passou a participar ativamente da entidade, assumindo posteriormente a vice-presidência. O envolvimento com o setor abriu portas em nível nacional, levando-a ao conselho da FENAPC, em Brasília, onde atuou por quatro anos antes de ser eleita vice-presidente por unanimidade.

“É um reconhecimento importante, principalmente em um ambiente ainda predominantemente masculino”, destaca.

Para Mariana, a construção civil vai além de obras e números. O setor tem papel essencial na transformação social, especialmente na habitação de interesse social, área que concentra grande parte das ações da federação em programas como o Minha Casa, Minha Vida. Ela também ressalta a relevância do Programa Ser Família Habitação, do Governo de Mato Grosso, e a contribuição da ACIMT para a ampliação da iniciativa.

“O que construímos não é apenas um imóvel, é um lar. E dar um lar é dar dignidade”, afirma.

Conciliar a vida profissional, o associativismo e a família é um dos maiores desafios. Casada há 20 anos, mãe de uma adolescente e à frente de três empresas, Mariana reconhece que as múltiplas jornadas ainda pesam mais para as mulheres. Mesmo assim, destaca o apoio recebido dentro da federação e o ambiente de respeito e diálogo na entidade.

“Fui eleita por homens que respeitam e entendem que visões diferentes fortalecem o setor”, pontua.

Entre as prioridades da nova gestão está ampliar a participação feminina na construção civil, por meio de cursos profissionalizantes voltados para mulheres.

“Muitas acham que esse espaço não é para elas. Não é fácil, mas é possível. Quando uma mulher chega, abre caminho para outras”, reforça.

Mesmo sem formação técnica em engenharia ou arquitetura, Mariana afirma que o medo nunca foi um obstáculo.

“Ele existe, mas não pode paralisar. Estudo e me preparo todos os dias para estar à altura da responsabilidade”, diz.

Defensora da união entre mulheres, ela acredita no crescimento coletivo e na ampliação de oportunidades dentro do setor. Ao falar de suas conquistas, faz questão de reconhecer o apoio da família e de colegas que caminham ao seu lado.

Hoje, as mulheres representam cerca de 30% da força de trabalho da construção civil no Brasil. Para Mariana, esse número ainda pode crescer.

“Moradia é um direito de todos. E é por isso que sigo trabalhando todos os dias”, conclui.





Fonte: Da redação
Data: 16/12/2025