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A medida, solicitada pela Defensoria Pública, considera as más condições de cumprimento de pena na unidade prisional, por conta da superlotação

Mais de 100 reeducandas que cumprem pena na penitenciária feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, podem ter a antecipação do benefício do regime semiaberto. A medida, solicitada pela Defensoria Pública, considera as más condições de cumprimento de pena na unidade prisional, por conta da superlotação. Com 27,5% a mais de presas do que a capacidade, a unidade encontra-se interditada, por decisão judicial, desde o ano passado.
A Defensoria Pública protocolou o pedido na Justiça, no qual sugere a antecipação para progressão de regime de mulheres custodiadas na penitenciária. Seriam beneficiadas as presas que alcançam a progressão entre abril de 2026 até dezembro de 2028. O pedido foi protocolado na última sexta-feira (10), junto à Vara de Execuções Penais de Cuiabá.
Defensor público André Rossignolo, que é coordenador do Núcleo de Execuções Penais (NEP), da Defensoria Pública, destacou que em fevereiro deste ano o próprio Poder Judiciário fez mais uma inspeção na penitenciária feminina, detectando, além da superlotação, deficiências estruturais. De acordo com Rossignolo, a medida de antecipação busca reduzir a superlotação carcerária e adequar o número de internas à capacidade do presídio para 90%, patamar considerado mais adequado para o funcionamento. A unidade tem capacidade para 316 vagas e está com 403 reeducandas, o que representa uma taxa de ocupação de aproximadamente 127,5%, com 87 detentas acima do limite projetado, disse o defensor.
André destacou que foi feito um levantamento no sistema de execução penal, o qual identificou 110 mulheres que devem atingir o requisito para progressão de regime. Para progredir, além do prazo, deve atender ao critério de bom
comportamento e se o juiz entender, a reeducanda ainda passa por um exame psicossocial. A proposta não prevê liberação automática das custodiadas, ressalta.
Problemas detectados
Durante a inspeção, foram identificados problemas no abastecimento de água, atendimento de saúde insuficiente e falta de oportunidades de trabalho para a maioria das internas.O diagnóstico também apontou entraves administrativos que impactam diretamente o tempo de permanência no sistema, como a ausência de registro de atividades para remição de pena e a falta de documentos civis para parte das custodiadas.
Fonte: Gazeta Digital
Data: 16/04/2026