27/10 - Bancos vão bloquear "contas laranjas" e de bets irregulares

Minha convivência com a vida pública começou muito antes de qualquer atuação profissional. Ela foi construída ao longo de gerações, marcada por exemplos de trabalho, liderança e dedicação ao desenvolvimento de Mato Grosso. Fui muito abençoado por Deus nesse sentido.
As raízes dessa história remontam ao bandeirante Manuel de Campos Bicudo, que chegou às terras mato-grossenses por volta de 1673, inclusive passando por Nova Xavantina, cidade onde atualmente resido. Séculos depois, outro nome ganharia destaque na construção do Estado: Totó Paes, nascido Antônio Paes de Barros, governador de Mato Grosso entre 1903 e 1906.
Visionário para o seu tempo, destacou-se como um dos pioneiros do agronegócio mato-grossense e fundador da moderna Usina Itaicy, empreendimento que simbolizava o avanço tecnológico e social da época. A usina possuía gerador de energia elétrica importado da Europa, sistema de moeda própria para circulação interna e proporcionava aos seus trabalhadores e familiares acesso à educação formal e à formação cultural, realidade incomum para aquele período e, em muitos aspectos, até mesmo para os dias atuais.
Esse ilustre mato-grossense possuía laços familiares diretos com minha família, sendo primo-irmão de minha bisavó, carinhosamente conhecida como “Dona Donana”.
Graças a Deus, tive o privilégio de conviver com ela durante parte da minha infância e início da juventude, na acolhedora cidade de Santo Antônio de Leverger. Por meio de suas histórias, ensinamentos e lembranças, pude manter viva a conexão com um legado familiar marcado pelo pioneirismo, pelo trabalho e pela contribuição ao desenvolvimento de Mato Grosso.
Por outro lado, em tempos mais recentes, a vocação para o serviço público, a liderança comunitária e a participação na vida pública continuaram presentes nas gerações que me antecederam.
Meu avô, Antônio Pedroso, deixou sua marca no esporte mato-grossense ao atuar como atleta do tradicional Dom Bosco. Para muitos, era o inesquecível “Craque Tom”, reconhecido por seu talento e dedicação dentro de campo. Contudo, sua trajetória extrapolou os gramados.
No cotidiano, era conhecido como Dr. Antônio Pedroso, cirurgião-dentista formado em Alfenas, Minas Gerais, e uma das mais influentes lideranças de sua região. Dotado de grande capacidade de articulação política e espírito agregador, destacou-se na organização de campanhas eleitorais, alcançando a expressiva marca de seis vitórias consecutivas como chefe de campanha de prefeitos locais.
Já meu avô, Benones Paula Souza, construiu uma sólida trajetória na área técnica, fiscal e tributária, participando de importantes momentos da administração pública mato-grossense. Seu trabalho esteve ligado à elaboração de leis, decretos, portarias e outros instrumentos normativos que contribuíram para o aperfeiçoamento da gestão pública e para a organização administrativa de diversos órgãos e instituições.
Ambos, cada qual em sua área de atuação, deixaram exemplos de dedicação ao trabalho, compromisso com a coletividade e participação ativa na construção da vida pública mato-grossense, valores que ajudaram a moldar a identidade e os princípios transmitidos às gerações seguintes.
Dentro de casa, tive como principal referência meu pai, até porque carrego seu nome ao ser o “Júnior” da família. Ao longo de sua vida, construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, competência e dedicação ao serviço público e à iniciativa privada.
Exerceu relevantes funções como exator, cartorário, secretário municipal, chefe de gabinete, administrador financeiro e gestor da antiga Travassos Segurança, a maior empresa de segurança privada que nosso Estado já teve, acumulando vasta experiência em diferentes áreas da administração pública e da gestão empresarial.
Sua capacidade de liderança, honestidade e sua sinceridade permitiram-lhe atuar em diversos setores, sempre pautado pelo compromisso com o interesse coletivo.
Durante o governo de Jayme Campos, integrou a equipe da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, trabalhando ao lado do então secretário estadual de Saúde, meu tio, Filinto Corrêa da Costa. Participou de um período marcante para a saúde pública mato-grossense, caracterizado pela expansão da infraestrutura hospitalar e pela implantação de importantes unidades de atendimento em diversas regiões do Estado, contribuindo para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde. Foram construídos 18 hospitais e implantados 1.114 leitos hospitalares em Mato Grosso na aludida gestão.
Seu exemplo de trabalho, dedicação e compromisso, com a administração pública sempre esteve presente em minha formação, servindo de inspiração para que eu também trilhasse o caminho do serviço à comunidade e da participação ativa na vida pública.
Por outro lado e não menos agregador, na minha infância, tive a oportunidade de conviver com lideranças que ajudaram a moldar a história política e econômica de Mato Grosso. Recordo-me dos finais de semana em Santo Antônio de Leverger, quando acompanhava as visitas do saudoso senador Jonas Pinheiro, uma das maiores referências do agronegócio brasileiro e da representação política mato-grossense no Congresso Nacional.
Ainda criança, pude observar de perto o respeito, a simplicidade e a capacidade de articulação que marcaram sua trajetória pública.
Essas vivências me ensinaram que a política não deve ser vista como privilégio, mas como missão; não como espaço para interesses pessoais ou para inflar o ego, mas como instrumento de transformação da vida das pessoas.
Ao recordar essa trajetória, especialmente quando falo sobre educação e formação, não posso deixar de expressar minha mais profunda gratidão à minha amada mãe. Desde os meus primeiros anos no ensino fundamental, ela dedicou parte de seu tempo para complementar minha educação, pois sim eu era um “menino difícil, mal educado, atentado, inconveniente” era assim que chamavam pessoas como eu que naquela época tinham TDHA com hiperatividade.
Ela com sua sensibilidade e sem nem saber o que era este transtorno em meados dos anos 2000 me levou ao neurologista, psicopedagoga e outros médicos, essa sua perspicácia salvou o restante da minha vida, foram mais de 6 (seis) anos de tratamento.
Ela, minha mãe, preparava atividades, elaborava exercícios para eu resolver em casa, incentivava a prática da caligrafia e me estimulava constantemente à leitura por meio de livros que selecionava com carinho, assinou na época até mesmo “A Reader's Digest” frequentemente chegava livros maravilhosos sobre história, biologia, geografia e política mundial sem falar na sua revista que tinha uma parte que eu sempre gostei chamada “Ossos do Ofício”.
Lembro-me que eu sempre fazia duas provas: a da escola e a de casa, elaborada por minha mãe. Foi por meio dessa dedicação silenciosa, desse acompanhamento diário e desse compromisso com minha formação que aprendi o valor do estudo, da disciplina e da perseverança.
Em Nova Xavantina, cidade que escolhi para viver e construir minha trajetória desde 2017, encontrei a oportunidade de colocar em prática os valores e ensinamentos recebidos ao longo de minha formação familiar e profissional.
Embora já tivesse acumulado experiências relevantes como assessor de magistrado, de defensor público e de procurador, foi na atuação junto ao Poder Executivo que compreendi, de forma mais intensa e concreta, a capacidade transformadora da gestão pública na vida das pessoas.
Ao longo desses anos, enfrentei desafios profissionais e pessoais, mas jamais permiti que eles diminuíssem meu compromisso com a coletividade, minha dedicação ou meu foco.
Mesmo durante um período de internação hospitalar, mantive-me à disposição para orientar e auxiliar colegas e cidadãos, dentro das limitações impostas pela situação. Não por obrigação, mas por acreditar que servir ao próximo é um dever que transcende circunstâncias momentâneas.
Também encontrei inspiração em lideranças locais que demonstram diariamente valores como fé, humildade e dedicação ao próximo. Entre elas, destaco Gercino Caetano Rosa, cuja conduta cristã e compromisso com a comunidade representam exemplos de liderança pautada no serviço e no respeito às pessoas.
Contudo, mais importante do que qualquer sobrenome, cargo ou legado familiar são os valores transmitidos por aqueles que vieram antes de nós. Aprendi que caráter, honestidade, trabalho e solidariedade não são herdados automaticamente; são construídos diariamente por meio de nossas escolhas e atitudes, pois nenhuma conquista acontece sozinha e cada avanço de uma cidade, de um estado ou de uma nação é resultado do esforço coletivo de homens e mulheres que acreditam no bem comum e trabalham para transformar desafios em oportunidades. Nesse sentido, não há ninguém melhor nem mais importante do que o outro.
Por isso, acredito que a verdadeira transformação não nasce da vaidade, dos projetos pessoais ou da busca por posições de poder, por likes, por abraços e sorrisos. Ela surge da humildade para ouvir, da coragem para agir e da união de pessoas comprometidas com um propósito maior do que seus próprios interesses.
O passado inspira. O presente exige trabalho. E o futuro pertence àqueles que têm coragem de servir, mesmo quando ninguém está olhando.
Vivemos uma época em que muitos buscam seguidores, curtidas e visibilidade. Porém, as comunidades não se transformam com aparências, mas com atitudes; não com discursos para as redes sociais, mas com ações concretas em favor das pessoas.
Porque, ao final, não serão os sobrenomes, os cargos ocupados, o número de seguidores ou o alcance das publicações que definirão nosso legado. O que permanecerá será a capacidade de fazer a diferença na vida das pessoas, de servir com humildade e de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, humana e próspera para todos e isso dentro do que foi ensinado tento à risca seguir e passar para a minha próxima geração.
Fonte: Celso Bicudo Jr., advogado
Data: 02/06/2026