Fiscalização resgata quatro trabalhadores de condições análogas à escravidão em fazendas de MT


Operação identificou alojamentos precários, falta de alimentação adequada e riscos à segurança em propriedades rurais entre Tangará da Serra e Diamantino.

Quatro trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão durante uma operação realizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT) em propriedades rurais localizadas entre os municípios de Tangará da Serra e Diamantino. A fiscalização ocorreu entre os dias 19 e 24 deste mês.

A ação foi conduzida por auditores-fiscais do Trabalho, com apoio da Polícia Federal e da Justiça do Trabalho, que identificaram graves irregularidades trabalhistas, além de violações às normas de segurança, saúde e dignidade dos trabalhadores.

Durante a inspeção, os fiscais constataram que um dos trabalhadores dormia ao relento, sobre um estrado de cama sem colchão, exposto ao frio, à chuva e às demais intempéries. Outro utilizava uma rede para descansar em uma residência com péssimas condições de higiene e instalações elétricas precárias, oferecendo risco de choque elétrico e incêndio.

De acordo com a fiscalização, os quatro trabalhadores — três cerqueiros e um vaqueiro, contratados por diária — viviam e trabalhavam em condições degradantes, situação caracterizada pela legislação brasileira como redução à condição análoga à de escravo.

Os alojamentos não possuíam camas adequadas, higiene, conforto ou estrutura mínima para o descanso. Além disso, os três cerqueiros exerciam as atividades sob forte exposição ao sol, sem equipamentos de proteção individual compatíveis com os riscos da função.

A fiscalização também verificou a falta de alimentação adequada. Segundo o relatório, no início da jornada os trabalhadores recebiam apenas café preto como café da manhã, sem qualquer alimento sólido, mesmo desempenhando atividades que exigiam intenso esforço físico.

Atividades interditadas

Durante a operação, os auditores interditaram serviços realizados em espaços confinados e em altura após identificarem risco grave e iminente à vida e à integridade física dos trabalhadores.

Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, as irregularidades encontradas demonstram um conjunto de violações de direitos fundamentais relacionados à alimentação, saúde, segurança, repouso e dignidade dos empregados.

Direitos garantidos

Após o resgate, a equipe da Auditoria-Fiscal do Trabalho realizou o cálculo das verbas rescisórias e demais direitos trabalhistas devidos aos quatro trabalhadores. Os contratos foram formalmente encerrados e homologados durante a operação.

Os trabalhadores resgatados também receberam assistência para retornar aos seus municípios de origem, todos localizados em Mato Grosso. Além disso, a fiscalização resultou na formalização do vínculo empregatício de outros dez trabalhadores que atuavam de forma irregular nas propriedades rurais.





Fonte: Primeira Página
Data: 28/07/2026