Jangada decreta emergência após avanço de incêndios e autoriza entrada em propriedades particulares


Município está entre os que mais registraram focos de calor no país nas últimas 24 horas; fumaça e fuligem também preocupam autoridades

A Prefeitura de Jangada, a cerca de 80 quilômetros de Cuiabá, decretou situação de emergência nesta terça-feira (18) diante do avanço de incêndios florestais e queimadas no município. A medida permite a mobilização da estrutura pública para o combate às chamas e autoriza agentes da Defesa Civil a entrarem em propriedades particulares em situações de risco iminente.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Jangada está entre os 25 municípios brasileiros com maior número de focos de calor registrados nas últimas 24 horas.

O incêndio que provocou a mobilização começou na sexta-feira (14), na região do lixão municipal. As chamas avançaram para uma propriedade rural próxima e, posteriormente, atingiram áreas às margens do Rio Jangada.

O fogo também se espalhou por regiões rurais próximas à BR-364 e passou a ameaçar áreas no sentido de Acorizal. Moradores registraram imagens da dimensão do incêndio e dos impactos sobre a fauna. Em um dos vídeos, bois aparecem correndo em meio à vegetação tomada pelas chamas, tentando escapar do fogo.

De acordo com o decreto, a situação foi agravada pelas condições climáticas características do período de estiagem, com temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e condições favoráveis à rápida propagação dos incêndios.

Fumaça preocupa autoridades

A Prefeitura aponta ainda preocupação com os impactos da fumaça e da fuligem na qualidade do ar e os possíveis riscos à saúde da população, principalmente crianças, idosos e pessoas consideradas mais vulneráveis.

Os focos de incêndio já atingem áreas de vegetação, pastagens, terrenos, propriedades rurais, imóveis e regiões próximas a residências e vias públicas.

Defesa Civil poderá entrar em propriedades

Com a situação de emergência, órgãos e entidades da Administração Pública Municipal poderão ser mobilizados para atuar na prevenção, preparação, combate aos incêndios, assistência à população e recuperação das áreas afetadas.

Em situações de perigo iminente, agentes públicos e da Defesa Civil poderão entrar em propriedades particulares para prestar socorro, combater as chamas ou determinar a evacuação de pessoas quando houver risco à vida.

O decreto também prevê o uso de propriedades particulares em casos de iminente perigo público, com possibilidade de indenização posterior ao proprietário caso sejam registrados danos.

A Prefeitura poderá ainda solicitar apoio técnico, operacional, humano e logístico aos governos estadual e federal, incluindo o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e a Defesa Civil Estadual.

Voluntários também poderão ser convocados e organizados para auxiliar no combate aos incêndios e no atendimento às pessoas atingidas.

Contratações emergenciais

O decreto autoriza ainda a adoção de medidas administrativas emergenciais, incluindo a contratação de bens, serviços e obras necessários para o enfrentamento dos incêndios.

As secretarias municipais deverão disponibilizar, dentro das possibilidades da administração, servidores, veículos, máquinas, equipamentos e demais recursos necessários para as ações de combate e prevenção.

Mato Grosso lidera focos de calor

A situação em Jangada ocorre em meio ao cenário de aumento dos incêndios em Mato Grosso. Dados do Inpe apontam que o Estado contabiliza 4.553 focos de calor desde o início de 2026, o maior número registrado entre os estados brasileiros.

Tocantins aparece na sequência, com 4.141 registros. Somente em agosto, Mato Grosso já havia contabilizado 809 focos, enquanto o Pará registrava 580 ocorrências.

Entre os municípios mais afetados está Paranatinga, que soma 349 focos desde 1º de janeiro.

Outras regiões de Mato Grosso também enfrentam grandes incêndios. Em Nova Santa Helena, as chamas já haviam destruído quase 15 mil hectares em dez dias. Em Barra do Garças, outro incêndio atingiu pouco mais de 13 mil hectares após quatro dias de ocorrência.

O cenário é agravado pelo período de estiagem, com altas temperaturas e baixa umidade, condições que favorecem a propagação rápida do fogo e aumentam o risco de novos incêndios.





Fonte: Primeira Página
Data: 19/08/2026