Sérgio Ricardo é o 3º 'chefe' preso em Mato Grosso


Sérgio Ricardo foi preso na manhã desta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada para investigar suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados pela Corte de Contas

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE -MT), Sérgio Ricardo de Almeida, é o terceiro representante máximo de uma instituição política estadual a ser preso enquanto ainda ocupava o cargo em um intervalo de 12 anos. Apontado como líder de um suposto esquema criminoso que teria desviado e movimentado recursos públicos, o conselheiro teve identificada uma movimentação financeira suspeita de R$ 75,8 milhões no período analisado pela investigação.

Antes dele, o ex-governador Silval Barbosa e o ex-deputado estadual José Geraldo Riva também foram presos por corrupção em 2014, quando ainda comandavam, respectivamente, o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Sérgio Ricardo foi preso na manhã desta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada para investigar suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos realizados pela Corte de Contas.

A investigação da Polícia Federal aponta a existência de uma estrutura organizada para desviar recursos públicos e convertê-los em dinheiro vivo, com participação de operadores financeiros e pessoas responsáveis por sacar, transportar e movimentar os valores. Na representação policial, o presidente da Corte é apontado como responsável pelo comando do esquema.

A decisão que autorizou as prisões preventivas foi analisada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a PF, Sérgio teria utilizado o poder de gestão para autorizar contratos, expedir portarias, nomear ocupantes de cargos estratégicos e influenciar setores envolvidos nos pagamentos. A investigação identificou aproximadamente R$ 15,6 milhões em saques em espécie atribuídos ao conselheiro.

Também foram analisados pagamentos feitos a empresas em 2024, mesmo após portarias da Presidência que determinaram a suspensão temporária dos contratos administrativos do tribunal. Ao todo, foram identificados 1.624 pagamentos a 94 empresas naquele ano.

Ararath derrubou Silval e Riva

Em 2014, o então governador Silval Barbosa (PMDB) foi preso durante um desdobramento da Operação Ararath, conduzida pela Polícia Federal, que investigava crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Na ocasião, agentes encontraram uma pistola calibre 380 em sua residência, com documentação vencida, o que resultou em prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Ele foi liberado após pagamento de fiança. Meses depois, Silval voltou a ser preso preventivamente na Operação Sodoma, que investigou fraudes na concessão de incentivos fiscais e um esquema de corrupção durante sua gestão. Réu em diferentes processos, o ex-governador firmou acordo de colaboração premiada em 2017, comprometendo-se a devolver recursos aos cofres públicos.

O outro episódio envolve José Geraldo Riva, que presidia a ALMT quando foi preso, em 20 de maio de 2014. Deputado estadual por cinco mandatos consecutivos, entre 1995 e 2014, Riva acumulou mais de uma centena de processos judiciais e chegou a responder a 107 ações por peculato, improbidade administrativa e corrupção. Na Ararath, foi apontado como um dos chefes de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 500 milhões em Mato Grosso.





Fonte: Gazeta Digital
Data: 02/11/2026